População de Quedas do Iguaçu faz passeata contra ocupações do MST

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A manifestação agitou a pacata cidade de 31 mil habitantes. Às 9:30h os moradores se concentraram em uma praça, no bairro Alto Recreio.

Os ônibus descarregavam a comunidade que veio do interior. Aqui a população exibiu faixas pedindo basta de invasões, reintegração de posse e garantia de direitos do trabalho.

O povo chegou com garrafinhas de água e tênis de caminhada. Preparados para a passeata que iria cortar o centro de Quedas do Iguaçu.

Logo a passeata teve início. Um carro de som abriu caminho do trecho de dois quilômetros. O som dos apitos tomou conta das avenidas.

A movimentação atraiu curiosos; esse senhor foi até a janela pra tomar o chimarrão. A polícia militar orientou o trânsito e acompanhou o trajeto para garantir a segurança. Segundo a PM, mais de 300 pessoas participaram do ato que foi pacífico.

A passeata teve fim em frente a igreja matriz da cidade, em uma das principais avenidas. Aqui houve uma série de discursos. O objetivo foi protestar contra as ocupações que o movimento sem-terra vem fazendo nas áreas da madeireira Araupel.

Há anos o conflito está presente nas áreas de reflorestamento da empresa Araupel em Quedas do Iguaçu, a 130 quilômetros de Cascavel. Em junho, o MST montou vários acampamentos na área. Um mês depois, mais famílias passaram a chegar aqui.

A madeireira acusa os acampados de depredação do patrimônio, saques a trabalhadores, derrubada de árvores nativas para venda e caça de animais silvestres.

A Araupel estima que de maio do ano passado até agora, o prejuízo causado passa dos R$ 10 MI. Uma postagem nas redes sociais mostra o MST retirando toras de uma das áreas de preservação. No início deste mês, o movimento fez uma manifestação em Quedas pedindo a liberação de terra.

O MST chegou a afirmar que pretende ocupar toda a área de posse da Araupel, eram mais de 80 mil hectares, hoje são apenas 33 mil. Este rapaz que participou da manifestação trabalha na madeireira há três anos e diz que o clima é de tensão.

Segundo a agência do trabalhador de Quedas, 205 funcionários do setor madeireiro pediram demissão nos últimos meses. O sindicato que representa a classe teme que o principal setor financeiro do município seja desestabilizado pelas ocupações.

O sindicato dos servidores públicos também se mobilizou.

Ao fim do protesto no centro de Quedas do Iguaçu, um homem que apoia as ocupações de terra apareceu na igreja matriz. A população fez som de latido, porque o homem é conhecido na cidade como cachorro, e ele saiu rapidamente.

Com o ato, os manifestantes esperam que a reintegração de posse seja realizada e planejam um ato no centro cívico de Curitiba no mês que vem.

Fonte: CATVE (http://catve.com/noticia/6/125921/populacao-de-quedas-do-iguacu-faz-passeata-contra-ocupacoes-do-mst)