Operação Pecúlio: Vereador Dr. Brito era principal beneficiário do esquema criminoso, diz MPF

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O vereador Dr. Brito, do Patriota, e outras cinco pessoas foram presas nesta terça-feira (16) na oitava fase da Operação Pecúlio. A ação coordenada pela Polícia Federal (PF), em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, investiga supostas fraudes em licitações na área da Saúde.

Segundo o procurador Alexandre Porciúncula, Dr. Brito é o líder e o principal beneficiário do esquema criminoso.

“Ele é pré-candidato a deputado estadual e visava angariar dinheiro para a campanha”, destacou ao apontar o servidor e assessor de imprensa do vereador, José Reis, conhecido como Cazuza, como o mentor intelectual.

O advogado Oswaldo Loureiro, que defende o vereador Dr. Brito e o assessor de imprensa José Reis disse que vai pedir à PF que o interrogatório do parlamentar seja feito à tarde, após a quebra do sigilo das investigações. Desta maneira, adiantou, o vereador poderá saber quais as acusações pesam contra ele.

Em relação a José Reis, a defesa informou que o cliente já foi interrogado. Ele respondeu a 27 perguntas sobre o Dr. Brito.

Os dois foram presos preventivamente, ou seja, sem prazo para serem libertados.

O vereador – que assumiu como suplente do vereador cassado Rudinei de Moura, preso durante a 5ª fase da Operação Pecúlio, e que encabeçou um pedido de abertura de investigação contra cinco parlamentares – também é investigado por assinar laudos de exames laboratoriais que deveriam ser feitos por ele, mas que eram realizados por outra pessoa.

Colaboração

As investigações que tiveram início em abril de 2017, com base em informações de um colaborador, afirma o Ministério Público Federal (MPF), apontam que o grupo obtinha informações privilegiadas de processos licitatórios.

Com tais informações, explicou o procurador, os envolvidos direcionavam a concorrência para que a clínica particular do vereador, que é médico, fosse a vencedora.

No período investigado, há indícios de fraudes em pregões que levaram à assinatura de dois contratos entre a clínica e a Fundação Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu para a prestação de serviços para o Hospital Municipal Padre Germano Lauck.

“Com alguém dentro da Fundação Municipal de Saúde seria possível direcionar esses processos de atos que deveriam ser publicitados por meio de editais, informações poderiam ser fornecidas antecipadamente, como de concorrentes, para um direcionamento dessas licitações”, explicou o delegado Sérgio Ueda.

10%

O primeiro contrato era de R$ 20 mil por mês e o outro de cerca de R$ 75 mil.

Ainda conforme o procurador, o empresário que denunciou o esquema havia sido procurado com a proposta de que 10% dos valores dos contratos fossem repassados ao grupo e que a clínica de Brito também fosse beneficiada com novos equipamentos.

Toda a ação foi monitorada por meio de gravação das conversas mantidas entre o colaborador e o grupo. Entregas de dinheiro também foram registradas. Uma delas foi feita em uma panificadora que fica ao lado da delegacia da PF.

Os pagamentos, diz, foram cessados após a mudança da direção do Hospital Municipal.

Mandados de prisão e de busca e apreensão

Foram presos ainda o chefe do setor de radiologia e uma servidora do Hospital Municipal, uma funcionária e a contadora da clínica do Dr. Brito. Na ação, foram cumpridos ainda 12 mandados de busca e apreensão.

Em nota, a assessoria de imprensa da Câmara Muncipal informou que as buscas no gabinete do vereador Dr. Brito foram realizadas antes do início do expediente e acompanhadas por um funcionário da portaria.

“A diretoria da Câmara está tomando conhecimento dos fatos e irá, em momento oportuno, tomar as medidas cabíveis”, comunicou.

A Câmara Municipal será informada oficialmente sobre a prisão do Dr. Brito e deve decidir sobre a manutenção ou não do mandato dele.

O Legislativo antecipou que o parlamentar deve parmanecer do cargo até que só deve abrir algum procedimento caso haja uma determinação judicial.

A direção do Hospital Municipal também confirmou que agentes da PF estiveram na unidade e recolheram documentos relacionados a contratos mantidos com empresas terceirizadas. Sérgio Moacir Fabriz garantiu que não sabia das supostas irregularidades.

Nome da operação

A PF informou que a operação “Renitência” recebeu esse nome em alusão ao fato de que, mesmo após as outras sete fases da Pecúlio – deflagrada em abril de 2016 -, agentes públicos seguem cometendo fraudes na administração da cidade.

Por: Portal Globo G1

Foto: CMFI