Intervenção em hospital de Foz do Iguaçu completa dois meses

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O processo de intervenção no Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, completou dois meses. Nesse período, já foi possível quitar as dívidas com a folha de pagamento dos funcionários e reorganizar os contratos com prestadores de serviços. As mudanças aconteceram graças ao repasse de R$ 38 milhões a serem pagos em seis parcelas pelo Governo do Estado à instituição.

Atendendo a uma recomendação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, o Estado assumiu a gestão do hospital no dia 1º de dezembro de 2016. “Colocamos uma equipe preparada para reerguer este hospital tão importante para a região de fronteira. O local enfrentava graves problemas financeiros e estava prestes a fechar e, em menos de 60 dias, já é possível ver os bons resultados da intervenção”, comenta o secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto.

De acordo com o coordenador da comissão gestora de intervenção do hospital e diretor-técnico da Fundação Estatal de Atenção à Saúde do Paraná (Funeas-PR), Moisés Warszawiak, a instituição foi encontrada em situação precária até dezembro de 2016, ainda quando a Fundação Municipal de Saúde era a gestora.

Ele também conta que todos os funcionários da instituição estavam com os salários atrasados, os fornecedores estavam sem receber e diversos colaboradores com contratos irregulares deixaram de atender após a intervenção do Estado. “Com todos esses problemas, os leitos ainda estavam ocupados por pacientes que aguardavam por cirurgias há mais de 40 dias, sem perspectiva alguma”, complementa.

Garantia

A principal preocupação da equipe era conseguir manter o funcionamento do hospital no meio de todo o caos encontrado. Para isso, foi solicitado com urgência o empréstimo de medicamentos e materiais aos hospitais do Estado e hospitais da região. A ação garantiu a mínima estabilidade para que as portas continuassem abertas.

O segundo passo foi possibilitar que os repasses oriundos do Governo chegassem diretamente ao hospital. “Se o repasse fosse feito ao município, não poderíamos garantir que tudo seria aplicado no hospital. Naquele momento, o dinheiro também não poderia ser repassado à Fundação, que não tinha condições de emitir certidões negativas que autorizassem o pagamento pelo Estado”, conta Warszawiak.

Para garantir o engajamento da equipe de funcionários nessa nova etapa, as folhas de pagamento foram colocadas em dia, incluindo o 13º salário, e um novo modelo edital para credenciamento de médicos foi elaborado.

Outro problema inicial era conseguir o fornecimento de insumos novamente. “Os fornecedores estavam há tanto tempo sem receber e não queriam realizar novas vendas, então tivemos que fazer os pagamentos à vista ou adiantados. Tudo o que foi contratado após a intervenção está pago – fornecedores e colaboradores”, garante o coordenador.

Números

As mudanças ocorridas no Hospital Municipal Padre Germano Lauck após a intervenção do Governo do Estado também podem ser verificadas comparando alguns números. Por exemplo, a média diária de atendimentos no pronto socorro praticamente dobrou. Passou de 18, em novembro de 2016, para 35 atualmente. Já o número médio de cirurgias mensais passou de 230 para 325, no mesmo período.

A taxa de ocupação de leitos passou de 40% para 70%. As internações também cresceram, passando de uma média diária de 104 para 151. Entretanto, mesmo com o aumento expressivo no número de atendimentos, o gasto médio com médicos reduziu quase R$ 1 milhão, passando de R$ 2,6 milhões para R$ 1,7 milhão por mês.

Além disso, a nova gestão garantiu a realização de 228 cirurgias de catarata pelo Mutirão de Cirurgias Eletivas do Estado em janeiro. Nos últimos dois meses, foram realizadas quatro captações de órgãos no hospital, que deram origem à doação de oito rins, dois fígados, duas córneas, um pâncreas e valvas de coração

Por: AMN