Foz do Iguaçu deixa de ser destino de sacoleiros                                                  

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Foz do Iguaçu deixa de ser destino de sacoleiros

De paraíso da muamba e dos sacoleiros, que há uns 10 anos se deleitavam em compras na Ciudad del Este, no Paraguai, para um cobiçado (e caro) destino ecoturístico que oferece as cataratas do Iguaçu como principal chamariz – uma das Sete Maravilhas do Mundo – pode-se dizer que Foz do Iguaçu, no Paraná, não é mais aquela.

Agora, a cara dela, organizada e cheia de atrativos naturais exuberantes, tem fisgado cada vez mais turistas, muitos deles endinheirados, e investidores do setor hoteleiro, de entretenimento e comércio de importados de luxo.

Em plena crise econômica no País, Foz do Iguaçu não reclama. Registrou movimento recorde no Aeroporto Internacional das Cataratas, no primeiro semestre com a movimentação de 1.017.995 milhão de passageiros, um crescimento de 13,08% em relação a 2014, segundo a Infraero. São 29 voos diários no terminal aéreo.

Retração houve, mas com menor impacto. “Apesar da crise, estamos batendo recordes. Eu atribuo isso ao turismo regional, de brasileiros”, avalia Gilmar Piolla, um dos gestores do Fundo Iguaçu, formado por entidades privadas ligadas ao turismo.

lém do turismo ecológico e de aventura, que tem seu auge em dezembro e fevereiro e no mês de julho, o trade tem investido na atração de congressos ao longo do ano e campeonatos esportivos.

Desde que o Parque Nacional do Iguaçu, onde estão as cataratas, passou a ser administrado por meio de Parceria-Público Privada (PPP) pelo consórcio Cataratas do Iguaçu S.A., em 2000, a feição da cidade foi mudando. A ação conjunta do Parque, trade e do poder público que investiu nessa pegada eco deu certo.

“O maior desafio foi mudar a imagem do destino, que, por volta de 2006, era de sacoleiro – com todo o respeito a quem faz isso – mas que tinha um ar negativo por causa do contrabando. Começamos a criar uma imagem positiva. O foco deixou de ser o comprismo para focar no turismo “, conta Piolla.

Hoje são mais de 26 mil leitos em hotéis da cidade. O município tem 270 mil habitantes e aproximadamente 35% trabalham com turismo. Antes os poucos hotéis abrigavam mais sacoleiros do que turistas. Foz vive da máquina municipal, da usina de Itaipu, onde trabalham 3,4 mil pessoas, mas o principal é o turismo.

Para se ter ideia, no último ano, cerca de 1,5 milhão de pessoas visitaram o Parque Nacional do Iguaçu, para ver as cataratas – um complexo natural de nada menos que 275 quedas d´água formadas por uma fenda geológica aberta há cerca de 150 milhões de anos. Cerca de 50% dos visitantes são estrangeiros. Isso, só do lado brasileiro. Parte das cataratas se visita pela Argentina.

Fronteiras
O fato de estar no Brasil e poder visitar dois outros países é outro ponto de interesse: a Argentina (Puerto Iguazu), ao atravessar a Ponte da Fraternidade, e o Paraguai (Ciudad del Este), do outro lado da Ponte da Amizade. O trade trabalha o “destino Iguaçu”: hospedagem em Foz e passeio nos três países.
O encontro da foz do rio Iguaçu (daí o nome da cidade) com o rio Paraná é justamente onde está o Marco das Três Fronteiras, um dos pontos turísticos. Estando na Argentina, se vê o Brasil e o Paraguai, e vice-versa. O rio Iguaçu vai desembocar, poucos quilômetros dali, nas Cataratas do Iguaçu. Já o Rio Paraná alimenta a usina hidrelétrica Itaipu Binacional, ponto obrigatório de visita em Foz.

A usina recebe cerca de 600 mil turistas por ano. Pode-se comprar visitas guiadas para as áreas externa e interna da usina e até um passeio de Kattamaram (é assim que escreve), no Lago de Itaipu, com direito a taça de coquetel de frutas, saxofonista tocando ao vivo e um belo pôr-do-sol, por R$ 60. Quer mais? Pague R$ 590 e se jogue num salto duplo de paraquedas com vista para o Lago.

Em Foz há hospedagens de todo jeito e preço, mas chamam a atenção os hotéis cinco estrelas e resorts. Alguns deles novos empreendimentos em construção. Nenhum, porém, oferece o mesmo que o Belmond Hotel das Cataratas, dentro do parque Nacional das Cataratas: parte das janelas têm vista privilegiada para as quedas. Gostou? Diária mínima em baixa estação: R$ 1,2 mil.
O combo de visitas em Foz do Iguaçu inclui, ainda, passeios ecológicos como o incrível Parque das Aves; de aventura, boa comida e bebida, compras de importados no Duty Free Shop na Argentina e curiosidades como o Foz do Iguaçu Park Show – que conta com o Vale dos Dinossauros e Museu de Cera, ótima pedida para crianças.
Isso tudo junto quase consegue afastar por completo da vista dos turistas o lado B do local. No caso, problemas relacionados ao contrabando e tráfico de drogas na fronteira. Eles existem, mas o turista só dá acordo se navegar por um dos sites de notícias locais. Ou, ainda, se decidir perambular nas proximidades da Ponte da Amizade e visitar a Ciudad del Este, onde a pobreza fica evidente.

Fonte: A Tarde